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Franco na WWW — A história de um encontro Incrível

Como tudo começou

No final da década de 1990, a internet começava a se popularizar no Brasil.
Decidi mergulhar nesse novo mundo. Comprei o “Ramalho”, um livro famoso (e grosso) sobre HTML, dica da minha irmã Stella. Comecei a me aventurar nas linhas de código, tentando entender como tudo funcionava.

Criei o meu primeiro site pessoal e, claro, escrevi que tinha sido aluno do Colégio Franco-Brasileiro. Parecia apenas um detalhe, mas foi esse pequeno trecho que mudaria tudo.

Pouco tempo depois, recebi um e-mail da Itamara Scaini, uma ex-aluna do Franco que eu não conhecia. Ela havia me encontrado justamente por ter digitado o nome do colégio num buscador. Com cerca de dez anos de diferença, talvez nunca tenhamos nos cruzado nos corredores do Franco.

Mas o mais extraordinário é que nenhum de nós morava mais no Rio de Janeiro: ambos estávamos em Manaus, no coração da Amazónia.

Dois ex-alunos do Franco — separados pelo tempo, unidos pelo acaso — se reencontraram a milhares de quilômetros da Rua das Laranjeiras. Conversamos longamente sobre o colégio, os professores, os amigos e as memórias. Durante a conversa, Itamara lamentou o fato de não existir um site dedicado ao Franco-Brasileiro.

Naquela noite, ao chegar em casa, fiquei a pensar nisso. Passei a noite acordado, digitando sem parar e com a cabeça fervilhando de ideias. Na manhã seguinte, enviei-lhe um e-mail, dizendo apenas:

Itamara, já temos um site. Este é o nosso Site do Franco!

Assim, em 28 de março de 1999, nascia o primeiro site do Franco, hospedado dentro do domínio submarino.com.
Foi o início de uma história que uniria pessoas, gerações e emoções em torno de uma mesma saudade.

Hoje, mais de 25 anos depois, após estudar WordPress e Elementor, lanço a versão atualizada: moderna, adaptada para celulares e tablets, e com seu nome próprio: sitedofranco.com.br (.br, pois é Franco-Brasileiro!). Veja abaixo como estava a útlima versão da página inicial do site antigo. Ainda falava em conexão discada!

Site do Franco Antigo

Um tempo de pioneiros

A internet daquela época era quase artesanal.
Os sites eram construídos manualmente, linha por linha, com curiosidade e experimentação.

Foi nesse contexto que eu também me tornei um dos primeiros a registrar o domínio “submarino” — muito antes do nome se tornar conhecido no comércio eletrônico brasileiro. (Explico: sou submarinista da Marinha do Brasil.)

Naquela altura, criar um site era como lançar uma garrafa no mar digital: não sabíamos onde ela iria parar, nem quem a encontraria.
Mas foi justamente essa incerteza que deu origem a tantas conexões inesperadas.

Os buscadores da época

Na virada dos anos 90, encontrar algo na internet era uma aventura à parte.
O AltaVista era um dos principais buscadores do mundo, e no Brasil o Cadê? fazia sucesso como o motor de busca mais popular em português.
O Yahoo! ainda era um diretório de links organizado à mão, e o Google dava apenas seus primeiros passos — mas eu nem sabia disso…

Foi nesses buscadores que o meu site pessoal passou a aparecer quando alguém digitava “Colégio Franco-Brasileiro”.
E foi assim que, bem longe do Rio, Itamara me encontrou em Manaus e, juntos, começamos uma história que se espalharia pelo mundo.

O primeiro passo

Logo após o primeiro contato com a Itamara, publiquei a mensagem que marcava o nascimento oficial do site. O propósito simples, mas profundo, que guiaria o projeto era: reunir pessoas e memórias.

Redes sociais como Orkut ou Facebook ainda não existiam. Colegas deixavam seus nomes e e-mails.
Talvez tenhamos sido pioneiros em reunir turmas e lembranças na internet.
A página de alunos e o livro de visitas se tornaram verdadeiros pontos de reencontro: muitos amigos se acharam depois de anos, e cada novo contato era motivo de festa. Tive o privilégio de conhecer alunos de várias épocas.

Em 28 de março de 1999, escrevi:

Há algum tempo, após colocar minha página pessoal na internet, a cadastrei em diversos sites de procura, nos quais citei ter sido aluno do Franco. Desta forma, consegui contato com ex-alunos que, ao procurar matar as saudades do colégio, encontravam o meu registro e lamentavam não existir uma página específica.
Ao ter contato com a Itamara, ex-aluna que também reside em Manaus, me animei a fazer um site sobre o Franco.
Agora, apesar de estar morando longe do Rio, estou iniciando este trabalho, com o objetivo de servir de ponto de encontro e arquivo de fatos e informações sobre o nosso querido Franco-Brasileiro.
Toda colaboração será muito bem-vinda!
Solicito o envio do símbolo do Franco (o galo!). Luiz Cláudio.

O galo e as primeiras histórias

Poucos dias depois, o site ganhou o símbolo que o tornaria realmente reconhecível como o espaço do Franco na internet.
Carlos Gonçalves, ex-aluno, enviou as primeiras imagens — um gesto simples, mas cheio de significado.

9 de abril de 1999

Logo ao inaugurar o site recebi a bela crônica da Itamara, sobre o Professor Aquino. Ficou faltando, então, o símbolo do Franco, para que ele ficasse realmente com a cara do nosso colégio. De 8 para 9 de abril de 1999, o ex-aluno Carlos Gonçalves enviou para mim, não só o símbolo do Franco, mas também belas e significativas fotos, muito bem produzidas.
Um trabalho de artista, digno de um ex-aluno do Franco-Brasileiro. Muito obrigado, Carlos. Valeu! Luiz Cláudio.

Galo do Franco
Caderneta de Presença
Caderneta Escolar

O Franco em lágrimas e emoção

O reencontro com o passado não trouxe apenas lembranças, trouxe também lágrimas e gratidão. A mensagem de Itamara, emocionada ao ver sua crônica lida no colégio, foi uma das primeiras provas de que o site havia tocado profundamente os corações.

Também no dia 9 de abril de 1999, recebi este e-mail da Itamara:

“Oi Cláudio, Você não imagina como eu chorei hoje.
Sabe a ‘História de Amor’? (Está na seção “crônicas”) Pois é, a professora de Biologia atual do colégio, que se cadastrou hoje como ex-aluna, leu minha história na sala dos professores, para a diretora e o próprio Aquino!!!
Depois me escreveu, dizendo que foi emoção pura… e eu aqui em lágrimas, meu Deus!
Agora você merece mais que um abraço, UM GRANDE BEIJO, QUE DEUS TE ABENÇOE E REALIZE TODOS OS TEUS DESEJOS.” 
Itamara.

E as memórias se multiplicam

A corrente de reencontros crescia a cada semana.
Famílias inteiras voltavam a falar sobre o colégio, e novas histórias eram resgatadas.
Entre elas, uma lembrança carinhosa que envolvia a minha própria irmã.

10 de abril de 1999
Minha irmã, Stella Maria, visitou o site e me telefonou logo em seguida. Nesta conversa, descobri que ela é uma das memórias vivas do nosso Franco. Estou certo que receberemos boas informações. Valeu, Tetella!
(Ela escreveu “Estado de Greve” e “Matemática é fácil…” )

O Franco, sempre vivo

As mensagens começaram a chegar de todos os lados.
Uma delas, do Sérgio Fonseca, misturava humor, nostalgia e o entusiasmo de quem reencontrava professores e colegas — e comprovava que o Franco seguia vivo e vibrante.

27 de maio de 1999
Legal, Luiz Cláudio!
Hoje literalmente babei com o Prof. Aquino. Palestra imperdível sobre o mundo pós-89 e a guerra da Iugoslávia. Ele sintetiza, traça paralelos que, por mais que a gente leia jornais e fique atento, não soma, não dá conta.
Tive o prazer também de reencontrar a D.ª Norma, Prof.ª Sônia Pimenta (um doce, como sempre), a Tia Lenira, o Prof. Sérgio (Educação Física), com 25 anos de Franco e uma animação sem igual com o colégio.
Num auditório lotado, cheio de alunos novos, professores e uns poucos ex-alunos, sentei por acaso ao lado do Pedro Rocha, irmão do “grande” Zequinha.
Bom, já está tarde e ainda tenho que transferir uns arquivos para um site. Depois te escrevo mais e/ou mando mais histórias. Tenho um monte delas risos. Abração! Sérgio Fonseca.
(Ele escreveu “A Imparcialidade Parcial”, “O Caso do Patek Phillipe”, “O Episódio Hilário da Ave Empalhada” e Sobre as aparições da Tia Lili”.)

A mensagem da diretora

Entre tantos reencontros, um deles teve peso especial.
A antiga diretora do Franco, D.ª Eliana Riquet, escreveu uma carta emocionante, uma lembrança viva de décadas de dedicação e carinho pelos alunos.

24 de maio de 1999
Luiz Cláudio, foi com muita emoção que vi nosso Franco na internet. Você fez uma página muito interessante e tenho visto que ela cresce a cada dia, com a adesão de alunos de várias épocas, todos desejosos de rememorar tempos felizes e querendo matar as saudades de nosso colégio.
Você deve calcular a minha emoção ao sentir a alegria do pessoal que estudou no Franco, sob a minha direção. Não sei se você tem ideia de quantos anos estive no Franco, onde comecei como professora de Português em 1959, dando aulas em duas turmas do primeiro científico, naquele tempo se chamava assim, e numa quinta série. Em 61 tornei-me vice-diretora: o diretor era Dr. Renato Almeida, escritor, folclorista e que esteve na direção do Franco, creio que por 40 anos.
Em 75, com seu afastamento, tornei-me a diretora. Saí em 1991. Foram, portanto, 32 anos.
Período em que tive oportunidade de aprender muito com vocês. Posso lhe garantir que foi um aprendizado profícuo. Aprendi a conhecer melhor as pessoas. Em uma das mensagens, um ex-aluno reconhece que, apesar de ser um tanto severa, eu gostava e muito de todos vocês… é verdade.
E esta amizade e afeição que tinha por meus alunos e meus professores é que fazia o meu trabalho bonito e agradável.
Gostei de ver as mensagens da Stella. Não me esqueço dela também, que foi uma aluna excepcional.
Um abraço, Eliana Riquet.

Três meses na Internet!

O tempo passou depressa.
Em apenas três meses, o site já era um ponto de encontro diário — um espaço de memórias vivas e reencontros.
E ninguém descreveu isso melhor do que a própria Itamara Scaini, cuja carta se tornou um marco dessa história.

29 de junho de 1999

3 meses de FRANCO na WWW!

Cláudio querido, você já se deu conta que ontem, 28 de junho, fez três meses que você colocou esta página no ar?

Pois é! Há um pouco mais que isso, num domingo daqueles chuvosos que fazia aqui na terrinha (Manaus), sentei-me em frente a este computador e navengando, acabei pensando nas águas da Guanabara, aquela que tanta saudades sinto, que sequer posso ver um avião….

Então, num momento de pura melancolia, digitei Liceu Franco Brasileiro e apareceu sua homepage pessoal: claudio.azevedo.com.
Fiquei estupefata! Afinal, o que tinha haver tudo aquilo com o nosso Colégio?
Cliquei então no seu nome, e a primeira coisa que li foi: ….nasci no Rio de Janeiro e estudei no Colégio Franco Brasileiro…………não precisou mais nada. Na mesma hora mandei um e mail pra você me identificando, lembra?

Dias depois marcamos um encontro e você veio aqui em casa. Conversamos tanto que não te ofereci nem uma Coca Cola!!!!!!!! Que falta de educação a minha……. Fui dormir tão contente!
No dia seguinte, quando abro meu e mail, leio uma mensagem sua que era pra eu ir em www.submarino.com/franco
Fui ( e não mais saí!). Já me encontrei por lá, cadastrada.

Era dia 28 de março de 1999.

A partir daí, visitar esta nossa página (me perdoe pelo possessivo) virou mais que um vício, mas um momento de prazer explícito dividido com todos aqui em casa.
Então as pessoas foram chegando. Primeiro o Mário, depois o Nelson, o Treglia, a Tetella, e todo dia mais um e mais um e mais um.
Entrou a turma da cozinha, a D.ª Eliana, a D.ª Sonia, a Celuta.

Veio a Paula e me aprontou(!) aquela de ler minha histórinha na sala dos professores.
A Tetella lembrou do Big Boy (tambem ex-aluno) e das tardes de sábado que ficávamos grudados junto ao rádio para ouvir ao “Cavern Club” e tome Beatles!!!!!!!!! Tempo bom!

Aí fui ao RJ, e foi aquele reboliço que você já conhece. Colégio, pessoas, amigos, professores, D.ª Eliana (que na hora de pagar a conta do almoço exclamou: Quem é tua diretora???????? e eu ia discutir?- tão linda!).
Aqueles quilos de poeira que o Mário e eu comemos na sala dos professores, e D.ª Norma e Seu Almir, pra lá e pra cá , tentando fazer tudo que a gente pedia.

Vieram juntas muitas lágrimas e recordações.
Mais que tudo isso, formou-se uma corrente, enorme, global. Amigos virtuais, ligados por um único laço comum, terem compartilhado em momentos diferentes, das mesmas carteiras, professores, da mesma filosofia de educação.
E está muito claro que isso fez a diferença.

Hoje, num e mail que recebi do Ricardo Todling, ele me dizia como tinha sido difícil superar as dificuldades do afastamento da família, dos amigos, da terra da gente. Eu sei como é isso! Apesar desses quase 19 anos fora do RJ e 30 fora do nosso Colégio, gosto de imaginar que tudo poderá ser novamente.

Pessoas queridas se juntam, se unem de forma quase inacreditável, apenas por um teclar…aquele do domingo chuvoso.
Por último veio a Sonia, toda determinada, juntando a “turma da copa” pra fazer um festão no fim do ano!
E há apenas 3 meses, poucos tinham contato.

Todo o tipo de contato está sendo feito. Cristina, Rejane e Márcia voltaram a ser aquele trio dos anos 60. Eu aqui com meu icq….. Você provavelmente deverá estar com muitas pessoas das quais nunca tinha ouvido falar, e quantos outros não deverão estar se unindo, só porque um dia você construiu essa página!

A minha “vitrola” não para de tocar The look of Love e a Cláudia, minha filha, foi pegar o long play do Tom Jobim, que era do Zé Hygino, que tem uma das primeiras gravações da Garota de Ipanema. muitas vezes eu me pergunto:será que essa chiadeira já tinha naquele tempo?

E no meio dessa escavação arqueológica é dado o momento comemorativo, fui desenterrar quem? Os Beatles, é claro! Encontrei então uma das mais belas músicas daquela duplinha terrível dos anos 60,  Lennon & McCartney , lembra?
A música é IN MY LIFE, e estou escrevendo a letra (graças à Mrs. Hilda) como uma forma de te presentear por todas as alegrias que temos vivido. Tomara que você lembre da música, mas se não lembrar, tenho certeza que a Tetella lembrará.

There are places I remember, all my life,
Though some have changed,
Some forever, not for better,
Some have gone and some remain,

All these places had their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living,
In my life I’ve loved them all

But of all these friends and lovers,
There’s no one compares with you,
and these mem’ries lose their meaning
When I think of love as something new

Though I knowI’ll never lose affection
For people and things that went before
I know I’ll never often stop and think about them,
In my life I’ll love you more

Como o  John disse, todos temos uma dívida de gratidão com você.
Portanto, muito obrigado! Meu beijo carinhoso, Itamara Scaini.

< 🎵 “In My Life”

Ecos de um tempo bom

Aquela carta resumiu o espírito de toda uma geração.
Em apenas três meses, o site havia se tornado um ponto de encontro, um abrigo de memórias e um reencontro de colegas.
Gente separada por décadas se reencontrava num simples clique.
As memórias do Franco continuavam vivas, agora no mundo digital.

Hoje, tantos anos depois, olho para essa história e penso no quanto ela simboliza o poder da memória e da amizade.
Foi um reencontro improvável, nascido num domingo chuvoso em Manaus, que acabou por unir corações espalhados pelo mundo.

Itamara deixou-nos cedo demais, mas o seu entusiasmo e a sua paixão pelo Franco não foram esquecidos.
Com carinho e gratidão, este site é dedicado a ela.

— Cláudio Azevedo, 13 de novembro de 2025, quando o Franco celebra 110 anos.