História do Franco

Um Colégio de Muitas Gerações

Origens e Fundação (1915)
O Colégio Franco-Brasileiro foi fundado em 13 de novembro de 1915 pelo professor francês Alexandre Brigole, em plena Primeira Guerra Mundial, com o propósito de aproximar culturalmente França e Brasil. Inicialmente chamado Lycée Français, iniciou suas atividades na Rua do Catete, no Rio de Janeiro, atendendo filhos de imigrantes franceses. Desde sua origem, foi uma escola mista e laica, inspirada nos valores republicanos franceses de educação secular e humanista.

Brigole

Alexandre Brigole

Mudança para Laranjeiras (1922) 
Com o crescimento do número de alunos, a escola transferiu-se em 1922 para a Rua das Laranjeiras (nº 13-15), em sede projetada pelo arquiteto francês Gabriel Marmorat. O novo espaço, em bairro residencial e tranquilo, favoreceu o ambiente escolar. A escola passou a integrar a paisagem cultural e arquitetônica da região, fortalecendo sua identidade franco-brasileira.

Seções Francesa e Brasileira (1926)
Em 1926, foram criadas duas seções de ensino com programas próprios: uma francesa e outra brasileira. O modelo permitia que alunos seguissem tanto o currículo nacional quanto o francês, com aulas em ambas as línguas e foco na cultura estrangeira. Assim, formou-se um ambiente bilíngue e multicultural que se manteve por quase seis décadas, atraindo famílias brasileiras e francesas.

Transformações Administrativas (1943)
Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, o governo brasileiro reconheceu oficialmente o curso secundário do Liceu, que passou a denominar-se Colégio Franco-Brasileiro, conforme decreto assinado por Getúlio Vargas.
No mesmo ano, a instituição adotou a forma jurídica de sociedade anônima, mantendo a designação Liceu Franco-Brasileiro S.A. como razão social, o que reforçou o seu caráter binacional.

Bossa Nova (1959)
Em 1959, o Franco sediou um Festival de Bossa Nova que reuniu jovens músicos e foi apresentado por Ronaldo Bôscoli. O evento destacou-se como um dos primeiros do gênero realizados em ambiente escolar, ao lado de apresentações na Escola Naval, e contribuiu para consolidar o novo estilo musical que surgia na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Marcados por um clima informal e colegial, esses festivais foram decisivos para revelar talentos e aproximar o público jovem da bossa nova, movimento que redefiniria a música brasileira nas décadas seguintes.

Em 1959, durante um espetáculo de novos talentos realizado no Franco, um dos grandes nomes da bossa nova, Ronaldo Bôscoli, apresentou ao público um jovem vindo do rock e apadrinhado por Carlos Imperial. Com palavras de incentivo e alguma ironia, disse: “Agora, apresentando um rapaz que estreia na Bossa Nova, egresso do rock… Ele é tímido, parece displicente, mas é uma voz que promete para amanhã. Ouçam com calma porque ele é… Roberto Carlos!”.
Naquele palco, entre aplausos curiosos e olhares atentos, nascia uma nova voz da música brasileira.*

Depoimentos e Experiências
Ex-alunos como Fátima Correia Dias lembram com carinho o ambiente culturalmente rico da escola: “Meus amigos eram ecléticos, estrangeiros. Viajavam, traziam novidades sobre moda e música. Era fascinante!”. 
Relatos sobre a convivência entre estudantes das seções francesa e brasileira evidenciam o intercâmbio cultural vivido diariamente.

Entrada do Franco

Direção
Ao longo de sua história, o Franco contou com um número reduzido de diretores. O professor Alexandre Brigole, fundador da instituição, foi o primeiro a exercer a direção. Tempos depois, o colégio teve como diretor o professor e folclorista Renato Almeida, lembrado por ex-alunos como uma figura marcante e de longa permanência à frente da escola. Em 1959, a professora Eliana Pimentel Riquet assumiu a direção, cargo que exerceu até 1991, período em que consolidou a tradição pedagógica do Franco. No ano seguinte, Celuta Reissmann passou a ocupar a função, dando continuidade aos princípios educacionais da instituição.

Separação da Seção Francesa (1984)
Em 1984, a seção francesa tornou-se independente, originando o Lycée Molière, também localizado em Laranjeiras. O Colégio Franco-Brasileiro, então, concentrou-se no currículo nacional, mantendo, no entanto, o ensino da língua francesa e os laços culturais com a França. Eventos como a Fête de la Musique e intercâmbios com instituições francesas permaneceram parte do calendário escolar.

Relação com o Bairro das Laranjeiras
Desde os anos 1920, o colégio contribuiu para o perfil cultural de Laranjeiras. O edifício com arcadas tornou-se parte da paisagem urbana, e a convivência entre alunos e a comunidade local reforçou o caráter aberto e multicultural do bairro. A escola passou a integrar a vida do bairro, acompanhando as suas transformações ao longo das décadas.

Ex-Alunos e Vínculos Duradouros
Ao longo de mais de um século, o Franco formou personalidades que se destacaram em diferentes áreas da cultura, da política, das artes e das ciências. Entre os antigos alunos estão o arquiteto Oscar Niemeyer, o neurocirurgião Paulo Niemeyer, o diplomata Sérgio Vieira de Mello, o ex-governador Carlos Lacerda, o dirigente desportivo João Havelange, a escritora Marina Colasanti, e as atrizes Irene Ravache e Sura Berditchevsky.
Também passaram pelos seus corredores nomes ligados ao cinema e à música, como Walter Moreira Salles, Edgard Duvivier e Emerson Mardhine, este último começou a tocar graças a um sarau do colégio.
A professora Eliana Pimentel Riquet, que dirigiu o colégio durante mais de três décadas, expressou a emoção de ver a comunidade escolar novamente unida — já nos primeiros anos da internet —, quando comentou, logo após a criação deste site por dois ex-alunos, em 1999: “Tenho visto que o site do Franco cresce a cada dia, com a adesão de alunos de várias épocas, todos desejosos de rememorar tempos vividos.”

O Legado de Tio Almir
Almir de Souza Cardoso, o “Tio Almir”, trabalhou no colégio por 61 anos (1964–2025) e foi homenageado com seu nome no pátio principal ainda em vida. Ao falecer, foi lembrado com carinho por gerações de alunos.
Uma ex-aluna escreveu: “Era o ano de 1979. Eu chegava na escola assustada, com apenas quatro anos, e quem dizia: ‘não chora, tá tudo bem’ era o Tio Almir… Depois vieram meus filhos e ele sempre me abria um sorrisão. Saudades eternas!”.

Pátio Tio Almir

Pátio Tio Almir

Conclusão
A história do Colégio Franco-Brasileiro reflete o entrelaçamento das culturas francesa e brasileira no Rio de Janeiro. Mais do que uma instituição de ensino, o Franco representa uma memória viva da cidade e da convivência entre povos, valores e gerações.

Referências
Fontes institucionais e informativas
Global Box – Liceu Franco-Brasileiro — www.globalbox.com.br/parceiro/liceu-franco-brasileiro/
Site oficial do Colégio Franco-Brasileiro – Sobre Nós — www.colegiofranco.com.br/sobre-nos/
Colégio Franco – Uma Ponte Centenária entre Brasil e França — www.colegiofranco.com.br/colegio-franco-uma-ponte-centenaria-entre-brasil-e-franca/
Colégio Franco-Brasileiro – Parcerias Internacionais — www.colegiofranco.com.br/parcerias-internacionais/

Fontes jornalísticas e publicações
Revista Educação – Ecos de Laicidade — www.revistaeducacao.com.br/2013/08/02/ecos-de-laicidade/
Jornal O Dia – Colégio Franco comemora centenário de olho no futuro — www.odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-11-14/colegio-franco-comemora-centenario-de-olho-no-futuro.html
Jornal O Globo – Franco-Brasileiro celebra centenário com show e lançamento de livro — www.oglobo.globo.com/rio/franco-brasileiro-celebra-centenario-com-show-lancamento-de-livro-18039009

Depoimentos e registros de ex-alunos
Submarino.net – Página de Ex-alunos do Franco — www.submarino.net/franco/
Depoimento de Eliana Pimentel Riquet — www.submarino.net/franco/tia_lili.htm

Fontes complementares
Minube – Liceu Franco-Brasileiro — www.minube.pt/sitio-preferido/colegio-liceu-franco-brasileiro-a3662429
*Blog Emoções RC – Bossa Nova de Roberto Carlos — emocoesrc.blogspot.com/2008/04/bossa-nova-de-roberto-carlos-4.html
Tempo Real RJ – Homenagem ao Tio Almir, ícone do colégio — www.temporealrj.com/estudantes-homenageiam-tio-almir-inspetor-que-foi-um-dos-icones-de-colegio-da-zona-sul/