Stella Maria P. de Azevedo
Não lembro o ano… eu estava no ginásio, entre 68 e 71, mais provavelmente depois de 69. Isto não vem ao caso.
Lembro do fato: os preços na cantina estavam exorbitantes. Eles vendiam bem, era um monopólio. Naquela época, murmurava-se muito… bem típico! Os alunos do Clássico e do Científico se organizaram e lideraram um movimento. Não lembro quem (ou melhor, “quens”).
Foi decretado “estado de greve”: cruzaríamos os braços e ninguém compraria nada. Todos levaríamos lanche, até mesmo aqueles que nunca lanchavam.
No dia marcado, a cantina abriu. Ninguém foi comprar. As funcionárias riam, sem entender. Ninguém se aproximava, mas ao longe todos observávamos. Devem ter recebido alguma ordem, pois, após algum tempo, baixaram as grades.
Sentamos no chão e lanchamos calmamente, enquanto nossa diretora circulava…
O que agravou foi quando tocou o sinal — este era o aviso de que o recreio havia terminado. Aí complicou. Maçãs voaram, houve alguma agitação, e ninguém retornou às salas.
Neste dia vi nossa diretora vermelha… acho que estava chorando. De raiva, provavelmente, pensamos na época. Ou, penso agora, seria receio? Naquele tempo, manifestações coletivas eram arriscadas. Ela era responsável pelo colégio.
Mas conduziu tudo com sabedoria e, após algum tempo, retornamos às salas. Nunca vou esquecer.
No dia seguinte, a cantina não abriu. Nossa diretora afirmou desconhecer os preços exorbitantes.
Final feliz: os preços foram reduzidos.
Resumidamente, foi o que aconteceu.
Foi uma lição para muitos de nós — talvez lições diferentes para cada um.
Mas creio que todos aprendemos alguma coisa.
Na escola, não se aprende só com os professores, e não são apenas os alunos que aprendem.
Será que alguém mais tem alguma lembrança desse dia?
(Crônica escrita em 1999.)