Stella Maria P. de Azevedo
Gostaria de iniciar falando sobre o lado bom do colégio, mas precisarei lembrar alguns fatos anteriores.
Quando estava no segundo e terceiro ginasial, fui aluna de Dona Nair, professora de Matemática. Eu adorava a disciplina e consegui continuar gostando, mas alguns sucumbiram, e os que já não simpatizavam com a matéria tiveram ali seus dias derradeiros.
Muitos precisaram de aulas particulares e, nessa época, o “quente” era a família Versiani. Lembro que a mãe e a irmã (Maria Célia) do Eduardo eram muito procuradas. O Eduardo era meu colega de turma, que reencontrei muitos anos depois, trabalhando no Franco, quando fui, em 1992, inscrever meus filhos para o exame de admissão no colégio.
Voltando ao assunto, Dona Nair, o terror de todos nós, sempre dizia que não devíamos reclamar dela, porque no último ano do ginásio conheceríamos o professor Sande, que, nas palavras de nossa inesquecível mestra, era “terrível”! Eu tentava imaginar o que poderia ser pior do que as aulas com Dona Nair.
Em 1971, quando estudava na 4ª série ginasial, tive minha primeira e inesquecível aula com o professor Antônio de Sousa Sande. Esperava, entre ansiosa e aterrorizada, pelo novo professor. Entrou na sala um homem simples, de olhos claros e serenos, sorriso cativante. Até aí, nada. (Teriam mudado o professor? Ou alterado o horário?)
Ele entrou e falou:
“Matemática é fácil.” (Todos riram.) “Mas é preciso prestar atenção. Repetirei quantas vezes forem necessárias, até que o aluno aprenda. Mas, se ele estiver conversando, não repetirei.”
Assim disse, assim fez.
Se eu já gostava de matemática, mais ainda passei a gostar.
Mas o que gostaria de contar é que, dez anos depois, em um pequeno colégio da cidade de Cachoeira Paulista (SP), uma professora de Matemática, no seu primeiro dia de aula, entrou em sala e disse:
“Matemática é fácil.” (Todos riram.) “Mas é preciso prestar atenção. Repetirei quantas vezes forem necessárias, até que o aluno aprenda. Mas, se ele estiver conversando, não repetirei.”
Assim disse, assim fiz. Essa professora era eu.
Professor, com o senhor aprendi muito mais do que matemática. E essa foi apenas uma de suas lições.
(Crônica escrita em 1999.)