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Franco Atirador p.1

Grêmio Estudantil do  Franco

Franco Atirador

EDITORIAL, 13 de novembro, 1995.

Muitos estão se perguntando: afinal, devemos participar das comemorações dos 80 anos do Franco ou elas são festas exclusivas dos ex-alunos e profissionais do colégio? A resposta deve vir acompanhada de outra pergunta: o que seria dessa instituição sem nós, atuais alunos? De que adiantariam 80 anos de história se não fosse a nossa presença para continuá-la?

Daí a importância da nossa participação nessas comemorações. Devemos encarar os 80 anos do Franco como se alguém de nossa família estivesse aniversariando. Afinal, nosso colégio é realmente como se fosse um membro da família, pois está presente no nosso dia a dia.

Num país onde uma minoria tem direito a um ensino de qualidade, devemos agradecer a oportunidade de estudarmos em um colégio padrão como é o nosso. Nós, alunos, devemos conquistar nossos direitos sabendo respeitar a tradição do Franco-Brasileiro. Temos atualmente no colégio a diretora Celuta, uma pessoa que privilegia, sobretudo, o diálogo, e é dialogando que conseguimos vitórias para os alunos.

Participe das comemorações pelos 80 anos de nosso colégio. Aqui é o lugar onde passamos a melhor fase de nossas vidas, onde conhecemos nossos melhores amigos e onde aprendemos os primeiros ensinamentos para o nosso futuro.

Grêmio Estudantil do Colégio Franco-Brasileiro — GECFB

Franco Atirador

ENTREVISTA: Dona Yolanda

Mais do que uma professora, Dona Yolanda é um pedaço da história do nosso colégio. Ela tem nada a mais, nada a menos do que 51 anos de Franco-Brasileiro. Não poderia, portanto, faltar, nesta edição especial, uma entrevista com a mais antiga professora deste estabelecimento:

1) GECFB: Qual a principal diferença que a senhora poderia destacar entre o Franco de hoje e aquele de tantos anos atrás?
Dona Yolanda: Quando entrei aqui, senti logo que havia um grande calor humano. Nós, professores, organizávamos passeios de fim de semana com inspetores e alunos. Os pais, por exemplo, não impunham tanto as suas vontades, pois tudo seguia um ritmo normal. Antigamente não havia a figura do coordenador e do orientador. Os professores se relacionavam diretamente com o diretor e o vice-diretor. O professor recebia um programa e cumpria-o a seu tempo e à sua maneira.
Quando surgiu o coordenador e o orientador, esses passaram a intervir mais na forma do professor cumprir o programa. Isso já me dificultou um pouco porque eu sou o tipo de professora que, apesar de ter preparado previamente uma aula, se um aluno me fizer uma pergunta, eu mudo totalmente o rumo da aula para responder àquela pergunta.
Como, a partir da implantação da coordenação, as provas eram iguais entre turmas que tinham professores diferentes, eu deveria estar rigorosamente em concordância com minhas colegas, e isso me incomodava um pouco. Hoje essa regra continua em prática, mas os tempos são outros. Depois de um certo tempo, aquele calor humano do qual eu falava sumiu por completo. Costumo dizer que ficou perdido em alguma sala do colégio. Hoje, com a Celuta, eu sinto que esse calor está voltando. Sinto que há um intercâmbio, um carinho maior entre a direção e os professores.

2) GECFB: Que acontecimentos culturais a senhora se lembra com mais carinho da história do colégio?
Dona Yolanda: Lembro-me com muito carinho das peças de teatro que tínhamos aqui. Peças lindíssimas, onde vários professores e alunos demonstraram ser grandes artistas, com a direção da professora de teatro Nilcéia.

3) GECFB: Quando a senhora entrou aqui, o aspecto físico do Franco-Brasileiro era bem diferente. Quais eram as principais diferenças?
Dona Yolanda: O lugar onde atualmente fica o áudio-visual era a residência do diretor da ala francesa. Quando entrei aqui, o diretor era Monsieur Forrestier, que foi sucedido por Monsieur Bréchon. Depois, ali passou a ser a residência do tesoureiro do colégio. Na entrada do colégio, por exemplo, havia árvores dos dois lados. Muitas salas, como as atuais 23 e 22 e a chamada “Coréia”, não existiam ainda. A antiga sala dos professores era onde hoje é a atual sala da diretora e da coordenação.

4) GECFB: Quais os castigos mais comuns aplicados aos alunos indisciplinados? Havia a famosa palmatória?
Dona Yolanda: Não, nós não usávamos a palmatória no meu tempo. O castigo mais comum era o de ficar sem recreio. Quando colocava um aluno de castigo, eu ficava com ele na sala, conversando e ensinando a forma correta de se comportar. Em cima da sala da Celuta há um relógio, embaixo do qual os alunos ficavam de castigo. Certa época, esse relógio foi retirado de lá, mas, em uma festa de ex-alunos, pediram para que ele fosse recolocado.

5) GECFB: A senhora se lembra de algum caso engraçado que tenha presenciado?
Dona Yolanda: Para dar um exemplo de como as crianças de antigamente eram diferentes das de hoje, vou contar um fato muito interessante: uma vez eu vi um aluno meu chorando muito. Fui perguntar a ele qual o motivo de tanto choro, e ele me disse que estava assim porque um amigo dele tinha dito um palavrão para ele. Perguntei, então, qual era esse palavrão, e ele me disse que tinha sido a palavra “curioso”. Para esse meu aluno, a primeira sílaba dessa palavra era um palavrão muito feio. Então eu lhe expliquei que era uma palavra só e que não era, de modo algum, agressiva — muito menos um palavrão. Para você ver como os tempos estão mudados…