Crônicas

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Mensagem de uma Ex-Professora.

Teresa Cristina Meireles de Oliveira

Lycée Français

Alô, meus antigos alunos do Colégio Franco-Brasileiro!
Aqui quem fala é a professora Teresa Cristina Meireles de Oliveira, de Língua Portuguesa e Literatura.

Foi com grande alegria e emoção que soube, pela nossa querida Tia Lili, da existência desta página que serve, de forma tão especial, para nos aproximar e reforçar os laços de amizade e afeto que o tempo apenas incentiva e intensifica.

Entrei no Franco recém-formada, cheia de sonhos, achando que iria encontrar a solução para os grandes impasses da educação e do mundo. Doce ilusão dos vinte anos! Era o ano de 1974 e começava uma trajetória que, no Franco, se estenderia por cabalísticos treze anos — não fosse esse o número da nossa porta na Rua das Laranjeiras e do nosso galo, que canta e invoca as luzes do pensamento.

Foram anos bons, acredito. Como já escrevi uma vez, foi no Franco, no dia a dia das aulas, que me forjei professora e aprendi a lidar com o Outro e suas diferenças.

Lembro, com saudade, do pátio do colégio, com os ponteiros do velho relógio marcando sempre onze e meia; da balaustrada de madeira do Casarão; do chão quadriculado de mármore no hall de entrada; do sinal que marcava o começo e o fim das aulas; da sala dos professores, com Soninha, Lenira, Silvia, Gilson, Raeder, Machado, Lattorre, Nivaldo, Gonzaga, Aquino e tantos outros.

Na minha pressa juvenil, a vida me parecia tão longa, o futuro tão distante, que só hoje, com o passar do tempo, reconheço a cálida passagem pelo Franco e o que isso representou na minha formação profissional e pessoal.

Sobretudo, foi lá que tive a sorte de conhecer Dona Eliana — a professora Eliana Riquet — a minha, a sua, a nossa tão querida Tia Lili, exemplo de dinamismo, trabalho e hombridade. De diretora e amiga, ela se tornou realmente minha Tia Lili, com quem mantenho contato permanente e por quem tenho uma profunda amizade que dispensa laços de sangue.

São muitas recordações e muita emoção neste momento em que eu, jurássica, tento lidar com este laptop através do qual posso falar com tantos ex-alunos.

Só deixei o Franco em 1987, quando, já concursada, ingressei como professora na UFRJ.

Hoje continuo na UFRJ como Professora Adjunta de Literatura Comparada e também na PUC-Rio. Acabo de editar meu primeiro livro de poemas, Cantares de Marília — sempre às voltas com a poesia, lembrando dos concursos literários que promovi durante anos no colégio.

Aliás, brevemente estarei na EdUFF, dia 6 de julho, a partir das 18 horas, fazendo uma conferência sobre o livro e autografando exemplares. Quem quiser ir a Niterói me ver nesse dia será muito bem-vindo.

Quem quiser me mandar uma mensagem, por favor, envie para o laptop da Tia Lili, porque eu, como disse, ainda sou jurássica.

Com todo o carinho da professora e amiga,
Saudades dos nossos tempos do Franco.

P.S.: Me emocionei demais e cantei La Marseillaise ouvindo a canção no site de vocês.
Parabéns, Luiz Claudio, pela linda iniciativa.

(Crônica escrita em 1999.)