Prezado Sérgio, o irmão do Zequinha comentou que, durante um encontro na palestra do Aquino, você lhe contou um episódio hilário: o da ave empalhada com um cigarro no bico, durante a aula do Nivaldo. Poderia me contar também? Obrigado. Forte abraço, Luiz Cláudio
Sérgio Luiz de Araújo Fonseca
Haha! Tenho que tomar cuidado, senão vou acabar me tornando a memória viva do colégio.
Bom, o negócio foi o seguinte:
A série eu não lembro ao certo, mas acho que era a oitava. Estudávamos numa sala colada ao laboratório de ciências. Naquele tempo havia um monte de animais empalhados em cima de um armário no corredor — entre eles uma preguiça, que naquele mesmo ano acabou com uma aula de inglês do professor Júlio, e um papagaio, o protagonista dessa história.
Havia acabado o recreio e estávamos em sala aguardando a aula do professor Nivaldo, grande malandro da área da Mangueira, dublê de professor de Matemática e figura muito querida por todos os alunos.
Antes que ele chegasse, um aluno foi até o corredor, pegou o papagaio e o colocou em cima da mesa do professor. Veio outro e colocou um cigarro no bico do bicho. Risadaria geral, e logo sentamos, quietos, aguardando o mestre.
Ele chegou, entrou na sala, olhou para o papagaio e depois para a turma. Olhou novamente para a ave empalhada, deu uma volta na mesa, fez aquela tradicional inclinadinha de cabeça para trás, enfiou a mão no bolso da camisa, pegou um isqueiro, acendeu o cigarro do papagaio e foi para o quadro dar aula.
O papagaio ficou lá, fumando o dele.
De repente, um rosto conhecido apareceu no vidro da porta e olhou a cena. Enrubescida, Dona Eliana abriu a porta e, com aquele olhar fulminante, passou uma bronca geral na turma, terminando com a célebre frase:
— Quem fez isso? É melhor se acusar agora, ou todos serão suspensos!
Silêncio geral. Então o professor Nivaldo disse:
— Fui eu, por quê?
E lá se foi Dona Eliana, totalmente sem graça.
Uma pausa… e risadaria geral.
Abração, Cláudio!
(Crônica escrita em 1999.)