Rubim Santos Leão de Aquino
(Esta é uma resposta, em forma de crônica, a “Uma História de Amor”, publicada anteriormente.)
Parece que foi ontem, tão vivas permanecem as recordações. No entanto, trinta anos se passaram.
Bem me lembro daquela manhã de outubro de 1968. O AI-5 se avizinhava. Nem de longe supunha que começava uma história de amor profundo, unindo-me ao Franco-Brasileiro.
Quantas alegrias vividas… Quantas emoções sentidas…
Quantas lágrimas derramadas… de alegria e de dor…
Que saudades dos que se foram!
Muitos dos que estão lendo estas linhas não sabem quão difícil era ser professor durante o regime militar. Principalmente após o AI-5, de 13 de dezembro de 1968, quando as liberdades públicas e individuais ficaram sujeitas à sanha da repressão.
O controle era feroz, especialmente sobre os que trabalhavam com a mais política das ciências: a História. Pensar em termos sociais e críticos poderia ser considerado subversão.
Mesmo assim, nunca abrimos mão do nosso papel de educador. Para nós, educação é formação de consciência crítica, sobretudo no conhecimento da realidade brasileira em suas conexões com as sociedades dominantes atuais.
Para nós, pouco importava transmitir conhecimento mediante a enumeração de nomes, datas, batalhas… Isso não é História com “H” maiúsculo.
E a direção do Franco-Brasileiro — estivesse ela nas mãos da professora Eliana ou, como hoje, com a professora Celuta — nunca interferiu no meu trabalho. Nunca fui advertido por minha atuação em sala de aula.
Foram anos e anos de luta, de construção, de amor, de carinho.
Hoje estou afastado da sala de aula, o que tem sido um martírio.
Nessa oportunidade, seria imperdoável omitir alguns momentos vividos: a prisão em quartéis e o processo durante o regime militar; a morte de um filho; o comando da greve da categoria em plena repressão; as internações na UTI…
E, nessas traumáticas vivências, o Franco sempre esteve comigo. Professores, alunos e funcionários me deram apoio, carinho, compreensão, amor.
Afinal, o Franco é parte da minha vida.
Um beijo para vocês.
(Crônica escrita em 1999.)
Itamara Scaini
Não posso deixar de registrar aqui uma outra resposta à História de Amor, que veio como dedicatória no livro Um Sonho de Liberdade – A Conjuração de Minas, escrito por Aquino, Marcos Antônio Bello e Gilson M. Domingues, Editora Moderna, 1998.
O livro me foi presenteado no dia 27 de maio de 1999, durante o nosso reencontro, na palestra que o professor Aquino ministrou no querido (e lotado) auditório do Franco.
Diz a dedicatória:
Para você, Itamara,
com todo carinho do seu velho professor, a quem você tem proporcionado muitas alegrias.
Afinal, faz quase 31 anos que entrei em sua sala no querido Franco-Brasileiro.
Um beijão do Aquino
Rio, 27 de maio de 1999.
Não poderia deixar de registrar esta resposta, pois, como eu, tenho certeza de que muitos outros aprenderam muito com o professor Aquino e com todos os mestres que fizeram de nós o que somos hoje.
E, além do mais, o professor Aquino não é o meu velho professor — é ainda o meu professor.